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PRM usa balas verdadeiras e gás lacrimogéneo contra membros e simpatizantes da ANAMOLA

A Polícia da República de Moçambique (PRM) é acusada de ter recorrido a balas verdadeiras, balas de borracha e gás lacrimogéneo para dispersar membros e simpatizantes da Aliança Nacional por um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA), durante as celebrações do primeiro aniversário do partido, em Quelimane.

A intervenção policial ocorreu no sábado, quando os membros e simpatizantes da formação política se preparavam para realizar uma marcha integrada nas celebrações do aniversário do partido, fundado por Venâncio Mondlane.Segundo dados preliminares apresentados pela ANAMOLA em Quelimane, sete membros terão ficado feridos por disparos de balas verdadeiras e de borracha. O partido relata ainda que um dos seus membros se encontra em estado grave na sequência de picadas de abelhas e apresenta alegações sobre a morte de duas crianças por intoxicação provocada pelo gás lacrimogéneo. Estas últimas informações ainda não foram confirmadas de forma independente.A intervenção provocou reacções de diferentes sectores da oposição. O PODEMOS, através de uma nota de repúdio, condenou a actuação policial e exigiu uma investigação independente, célere e transparente para esclarecer os acontecimentos e apurar eventuais responsabilidades.

A RENAMO também condenou o episódio. O partido, que exige o esclarecimento público das circunstâncias da intervenção, considerou particularmente grave a alegação de utilização de balas verdadeiras e gás lacrimogéneo contra cidadãos e defendeu a responsabilização de agentes que tenham eventualmente actuado fora dos limites da lei.

O Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD) pediu igualmente esclarecimentos ao Ministério Público, defendendo que sejam investigadas as alegações de disparos com armas de fogo e de eventual uso excessivo da força.

O presidente do Conselho Municipal de Quelimane, Manuel de Araújo, manifestou anteriormente “profundo choque” perante a actuação policial, que classificou como “musculada e desproporcional”.

A PRM apresenta, contudo, uma versão diferente. A porta-voz da corporação na Zambézia, Belarmina Henriques, afirma que a Polícia não utilizou meios letais durante a intervenção e que o gás lacrimogéneo foi usado para controlar os ânimos e dispersar a caravana.Segundo a responsável, as autoridades tinham previamente discutido com a direcção da ANAMOLA as condições para a realização do evento e haviam recomendado que não fosse realizada a marcha, devido às condições de segurança e à realização simultânea do Carnaval de Quelimane.

A PRM afirma ainda que alguns participantes terão insultado os agentes e que um deles terá lançado uma pedra contra uma viatura policial, provocando a quebra do vidro frontal.

Quanto ao episódio envolvendo as abelhas, Belarmina Henriques explicou que uma colmeia existente nas proximidades do local terá sido afectada pelo lançamento do gás, provocando o ataque aos participantes. Um membro e simpatizante da ANAMOLA terá sofrido várias picadas e sido encaminhado para uma unidade sanitária.

Apesar da explicação policial, permanecem divergências sobre o que aconteceu no local, particularmente em relação às alegações de utilização de balas verdadeiras e às consequências da intervenção. O esclarecimento independente dos factos é fundamental para determinar se houve uso excessivo da força e estabelecer eventuais responsabilidades. (Moz24h)

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