A Polícia da República de Moçambique (PRM) é acusada de ter recorrido a balas verdadeiras, balas de borracha e gás lacrimogéneo para dispersar membros e simpatizantes da Aliança Nacional por um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA), durante as celebrações do primeiro aniversário do partido, em Quelimane.
A intervenção policial ocorreu no sábado, quando os membros e simpatizantes da formação política se preparavam para realizar uma marcha integrada nas celebrações do aniversário do partido, fundado por Venâncio Mondlane.
A RENAMO também condenou o episódio. O partido, que exige o esclarecimento público das circunstâncias da intervenção, considerou particularmente grave a alegação de utilização de balas verdadeiras e gás lacrimogéneo contra cidadãos e defendeu a responsabilização de agentes que tenham eventualmente actuado fora dos limites da lei.
O Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD) pediu igualmente esclarecimentos ao Ministério Público, defendendo que sejam investigadas as alegações de disparos com armas de fogo e de eventual uso excessivo da força.
O presidente do Conselho Municipal de Quelimane, Manuel de Araújo, manifestou anteriormente “profundo choque” perante a actuação policial, que classificou como “musculada e desproporcional”.
A PRM apresenta, contudo, uma versão diferente. A porta-voz da corporação na Zambézia, Belarmina Henriques, afirma que a Polícia não utilizou meios letais durante a intervenção e que o gás lacrimogéneo foi usado para controlar os ânimos e dispersar a caravana.
A PRM afirma ainda que alguns participantes terão insultado os agentes e que um deles terá lançado uma pedra contra uma viatura policial, provocando a quebra do vidro frontal.
Quanto ao episódio envolvendo as abelhas, Belarmina Henriques explicou que uma colmeia existente nas proximidades do local terá sido afectada pelo lançamento do gás, provocando o ataque aos participantes. Um membro e simpatizante da ANAMOLA terá sofrido várias picadas e sido encaminhado para uma unidade sanitária.
Apesar da explicação policial, permanecem divergências sobre o que aconteceu no local, particularmente em relação às alegações de utilização de balas verdadeiras e às consequências da intervenção. O esclarecimento independente dos factos é fundamental para determinar se houve uso excessivo da força e estabelecer eventuais responsabilidades. (Moz24h)