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Pessoas com albinismo recebem atendimento dermatológico gratuito em seis províncias

VII Expedição Dermatológica decorre até 28 de Outubro e inclui consultas especializadas, tratamento de lesões cutâneas e distribuição de protectores solares.

Maputo – Pessoas com albinismo estão a beneficiar de atendimento dermatológico especializado e gratuito em seis províncias de Moçambique, no âmbito da VII Expedição Dermatológica, uma iniciativa que decorre de 5 a 28 de Outubro para facilitar o acesso aos cuidados de saúde e reforçar a prevenção do cancro da pele. A iniciativa é promovida pelo Laboratório Internacional de Fotoproteção e Dermatologia (ISDIN), em colaboração com a organização África Directo e, desde 2024, conta com a parceria do Ministério da Saúde.As consultas decorrem nos hospitais provinciais de Tete, Inhambane e Xai-Xai, no Hospital Geral da Beira e nos hospitais centrais de Nampula e Maputo, entre as 9h00 e as 16h00, de acordo com o calendário definido para cada unidade sanitária. Durante o atendimento, profissionais especializados com experiência em albinismo e cancro da pele avaliam a condição dermatológica dos pacientes, identificam possíveis lesões que necessitem de acompanhamento e realizam tratamentos directamente durante as consultas, segundo o comunicado da organização. A expedição inclui igualmente acções de sensibilização sobre os cuidados a ter com a pele, distribuição de protectores solares e oferta de chapéus de aba larga, destinados a proteger zonas particularmente expostas à radiação solar, como as orelhas e o pescoço.

Mais de 5.250 avaliações dermatológicas realizadas

Desde o início do projecto, em 2022, as seis expedições anteriores realizaram mais de 5.250 avaliações dermatológicas e 911 cirurgias de tumores cancerígenos, com a participação de 77 dermatologistas.Segundo a ISDIN, o programa permitiu também formar profissionais de saúde moçambicanos e inclui a doação anual de 100 mil protectores solares.

A iniciativa procura alargar progressivamente a assistência dermatológica a diferentes regiões do país e reforçar a capacidade dos profissionais locais, de modo a contribuir para a continuidade dos cuidados ao longo do ano.

As pessoas com albinismo apresentam pouca ou nenhuma melanina, o pigmento que contribui para a protecção natural da pele contra a radiação solar. Esta condição aumenta o risco de danos provocados pelo sol e de desenvolvimento de cancro da pele, tornando especialmente importantes a fotoproteção, a avaliação periódica e a detecção precoce de lesões. Entre as medidas recomendadas estão a aplicação diária de protector solar, o uso de roupa que cubra a pele, a utilização de chapéus de aba larga, a procura de sombra e a redução da exposição solar nas horas de maior intensidade.

Atendimento prossegue em quatro províncias

De acordo com o calendário divulgado pela organização, o atendimento está previsto para os seguintes locais e datas:

  • Inhambane: de 19 a 22 de Outubro, no Hospital Provincial de Inhambane.
  • Sofala (Beira): de 19 a 22 de Outubro, no Hospital Geral da Beira.
  • Nampula: de 19 a 23 de Outubro, no Hospital Central de Nampula.
  • Maputo: nos dias 23, 24, 26 e 28 de Outubro, no Hospital Central de Maputo.
  • Gaza (Xai-Xai): de 24 a 27 de Outubro, no Hospital Provincial de Xai-Xai.

O calendário divulgado indica que a assistência em Tete decorreu de 5 a 10 de Outubro, no Hospital Provincial de Tete. As consultas estão programadas para o período entre as 9h00 e as 16h00.

Combater o estigma associado ao albinismo

Para além da assistência médica, a iniciativa pretende combater a desinformação e as falsas crenças que continuam a contribuir para a discriminação das pessoas com albinismo.

O albinismo é uma condição genética hereditária, não contagiosa, que afecta a produção de melanina. Apesar das necessidades específicas relacionadas com a visão e a protecção da pele, a condição não determina as capacidades intelectuais das pessoas nem as impede de ter uma vida plena.

A organização alerta para a persistência de crenças sem fundamento científico, incluindo a ideia de que o consumo de determinados alimentos provoca cancro da pele ou de que o nascimento de uma criança com albinismo está relacionado com a infidelidade materna. Também rejeita as crenças que atribuem poderes sobrenaturais às pessoas com albinismo ou associam a condição a maldições.

A sensibilização das comunidades, a prevenção e o acesso a cuidados especializados são apontados como componentes importantes para melhorar a saúde e reduzir a estigmatização das pessoas com albinismo.

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