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Pelo menos 34 mortos por malária na província moçambicana de Tete em 2025

Lusa

Um total de 34 pessoas morreram vítimas de malária desde janeiro na província de Tete, no centro de Moçambique, um aumento acima de 100% dos óbitos em comparação a 2024, anunciou fonte oficial.

“Nós tivemos 34 óbitos reportados este ano contra 13 óbitos reportados no ano passado, um aumento [de mortes] acima de 100%”, disse o médico-chefe em Tete, Hélder Dombole, citado hoje pela comunicação social.

Segundo o responsável, este ano foram diagnosticados cerca de 680.263 casos da doença, contra os 436.000 casos reportados no ano passado.

“Todos os distritos [da província] tiveram um aumento de casos de malária, com exceção do distrito de Angónia. Neste momento, as crianças são o grupo mais afetado pela malária, mas felizmente nós introduzimos recentemente a vacina contra a doença, que é dada mesmo para as crianças menores de cinco anos”, referiu, acrescentado que o medicamento está disponível em todas as unidades sanitárias de Tete.

Em 10 de dezembro, o antigo ministro da Saúde moçambicano, Ivo Garrido, criticou a tendência de estagnação dos índices de prevalência e incidência de malária em Moçambique, apontando para falhas na prevenção da doença.

“Estamos a falhar sobretudo na prevenção. Foram (…) apresentados aqui certos mapas com a evolução da prevalência e da incidência da malária ao longo de décadas e o que nós verificamos é que, às vezes, baixa um bocadinho, mas a tendência é praticamente para a estagnação”, disse Ivo Garrido, durante o Fórum Anual de Malária em Nampula, no norte de Moçambique.

Segundo o antigo ministro da Saúde (2005-2010), a incidência e prevalência da malária “praticamente não mexem” em Moçambique desde a proclamação da independência, em 1975, apesar dos esforços do país para travar a doença.

O Ministério da Saúde moçambicano também disse que o país registou cerca de 10,3 milhões de casos de malária, entre janeiro e setembro, contra nove milhões no mesmo período do ano passado, um aumento em 14% de novos casos da doença.

Em 2024, pelo menos 358 pessoas morreram vítimas da doença no país africano, que registou mais de 11,5 milhões de casos e cerca de 67 mil internamentos, avançou, em 25 de abril, o Presidente moçambicano, no âmbito do Dia Mundial da Malária, pedindo maior proteção para as crianças.

A vacina contra a malária R21/Matrix-M, a segunda para crianças, desenvolvida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, já está em utilização em Moçambique, seguindo os conselhos do Grupo Consultivo Estratégico de Peritos em Imunização (SAGE) e do Grupo Consultivo de Políticas sobre Malária (MPAG). (Lusa)

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