Por Quinton Nicuete
A escritora moçambicana Paulina Chiziane foi recentemente homenageada nos Estados Unidos da América pela African Literature Association (ALA), em reconhecimento pela excelência da sua produção literária e pelo relevante contributo da sua obra para o desenvolvimento da literatura africana contemporânea.
A informação foi avançada pelo Times de Todos, que refere que a distinção reconhece o percurso literário da autora, considerada uma das mais influentes vozes da literatura africana em língua portuguesa.
Segundo o Times de Todos, durante a cerimónia de homenagem, o académico Luís Madureira destacou que a escrita de Paulina Chiziane se caracteriza por uma abordagem crítica das relações de poder e de género, analisando a forma como estes factores influenciam a produção, a regulação e a manifestação da diferença e da resistência nas sociedades pós-coloniais.
O académico sublinhou ainda que a escritora construiu um percurso literário próprio, recusando tanto as limitações da chamada literatura engajada, associada à construção da consciência nacional moçambicana, como as classificações frequentemente utilizadas no Ocidente para enquadrar a ficção africana destinada ao mercado internacional, acrescenta o Times de Todos.
De acordo com a mesma publicação, a distinção foi recebida, em representação da escritora, pelo jornalista moçambicano Amâncio Miguel, residente em Alexandria, no estado norte-americano da Virgínia, durante a cerimónia oficial de entrega da homenagem.
Ainda segundo o Times de Todos, Paulina Chiziane volta, desta forma, a ver reconhecido internacionalmente o seu percurso literário e a sua contribuição para a valorização da literatura africana, reforçando o prestígio de Moçambique no panorama cultural mundial.
Primeira mulher moçambicana a publicar um romance, Paulina Chiziane é autora de obras marcantes como Balada de Amor ao Vento, Niketche: Uma História de Poligamia e O Alegre Canto da Perdiz, títulos que abordam questões ligadas à identidade, género, tradição, desigualdades sociais e direitos das mulheres, tornando-se uma referência incontornável da literatura africana contemporânea. (Moz24h)

