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O Poder e o Medo da Verdade

Por: Castro Cleiton

 

 

Você já se perguntou por que razão, quando um jornalista faz realmente bem o seu trabalho, passa a ser alvo de insultos, campanhas de descredibilização e ataques vindos de sectores do poder?

Já se perguntou por que motivo os órgãos de comunicação social mais comprometidos com a liberdade de expressão, aqueles que abrem espaço para diferentes opiniões e que dão voz a quem normalmente não a tem, acabam frequentemente pressionados, atacados ou colocados sob suspeita?

Não falo dos meios de comunicação que servem interesses particulares. Falo daqueles que procuram cumprir a sua missão fundamental: informar os cidadãos, questionar o poder e dar visibilidade aos problemas que muitos preferiam manter escondidos.

Ao longo da história, o poder sempre teve uma relação difícil com o jornalismo independente. Em regimes abertamente ditatoriais, a censura é feita de forma direta. Nas ditaduras modernas, disfarçadas de democracia, os métodos são diferentes. Em vez de fechar jornais ou prender jornalistas à luz do dia, procura-se desacreditá-los perante a opinião pública. Procura-se destruir a sua reputação antes de destruir a sua voz.

O jornalista que denuncia violações de direitos humanos numa zona de conflito torna-se incómodo. O jornalista que investiga interesses económicos em áreas de exploração mineira torna-se incómodo. O jornalista que questiona decisões dos governantes torna-se incómodo. E quando alguém se torna incómodo para os poderosos, quase sempre surge uma campanha para o apresentar como mentiroso, manipulador, vendido ou inimigo da pátria.

Muitas vezes, a pressão não recai apenas sobre o profissional. Os próprios órgãos de comunicação social tornam-se alvos. Surgem financiamentos convenientes, contratos de publicidade estratégicos, apoios aparentemente inocentes e outras formas de influência que procuram transformar a independência editorial numa dependência silenciosa. E quando uma redação decide ceder a essas pressões, os primeiros a sofrer as consequências costumam ser precisamente os jornalistas que insistem em manter a sua independência.

Mas a questão central permanece: por que tanto medo do jornalismo?

A resposta talvez seja mais simples do que parece.

Porque o jornalismo é uma das poucas instituições capazes de iluminar aquilo que alguns querem manter na escuridão. O jornalismo expõe contradições, revela abusos, questiona narrativas oficiais e oferece ao cidadão comum informações que lhe permitem formar a sua própria opinião.

Quem pretende esconder a verdade vê o jornalismo como uma ameaça. Quem pretende manipular a realidade vê o jornalismo como um obstáculo. Quem beneficia do silêncio teme aqueles que fazem perguntas.

Por isso, quando uma sociedade começa a normalizar ataques contra jornalistas, quando a perseguição a profissionais da comunicação deixa de causar indignação, quando os órgãos de informação independentes passam a ser vistos como inimigos, algo muito mais profundo está em risco do que a profissão de jornalista.

Está em risco o direito dos cidadãos de conhecerem a verdade.

Porque um jornalismo sério, imparcial, independente e comprometido com os factos não protege apenas os jornalistas. Protege toda a sociedade. Protege a democracia. Protege as futuras gerações do abismo da ignorância, da manipulação e da deterioração das instituições.

Por isso, antes de apoiar a perseguição de um jornalista, antes de celebrar o silenciamento de uma redação ou antes de tentar impedir que a verdade venha ao conhecimento público, é preciso reflectir sobre o que realmente está em jogo.

Afinal, quem mais neste mundo tem tanto interesse em esconder a verdade do público?

E mais importante ainda: o que achas que está acontecendo aqui, na nossa pátria amada Moçambique, com os jornalistas e os órgãos de informação?

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