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Mondlane acusa embaixador da União Europeia de parcialidade em Moçambique

 

Por Quinton Nicuete

Venâncio Mondlane, líder do partido ANAMOLA, veio a público esclarecer a recente polémica em torno das suas declarações dirigidas ao embaixador da União Europeia (UE) em Moçambique. Em entrevista à Deutsche Welle, o político afirmou que não existe qualquer desentendimento pessoal com o diplomata, mas sim uma divergência de natureza institucional.

Segundo a DW, Mondlane, a sua crítica tem origem na postura do embaixador relativamente à crise política e social que o país enfrenta. O dirigente acusa o representante europeu de “falta de imparcialidade” e de uma “bajulação patológica” dirigida ao Presidente da República, o que, no seu entender, fragiliza o papel da União Europeia enquanto parceira credível no reforço da democracia moçambicana.

O líder do ANAMOLA considera que o discurso proferido pelo diplomata num evento oficial foi “o mais infeliz da sua vida”, por insinuar ataques pessoais e ignorar as dificuldades vividas pela oposição e pela sociedade civil. “O que disse não foi apenas contra mim, mas contra os jovens e cidadãos que diariamente expressam a sua indignação perante a falta de justiça e transparência”, afirmou.

Mondlane recordou ainda episódios recentes de detenções arbitrárias e de tortura de membros do seu partido, situações que, segundo o político, foram posteriormente reconhecidas e validadas por decisões judiciais. Para o dirigente, o silêncio da representação europeia perante estes factos demonstra “um alinhamento preocupante com o poder executivo, em detrimento da defesa dos direitos humanos”.

Apesar da dureza das críticas, Mondlane fez questão de sublinhar que mantém respeito pela União Europeia e pelos países que a integram. O político frisou que a sua contestação se dirige exclusivamente à conduta do atual embaixador em Moçambique, apelando a que a UE reforce a sua neutralidade e a sua vocação de mediadora num contexto político que considera cada vez mais tenso e delicado para o futuro da democracia no país. (Moz24h)

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