Moçambique e China firmaram um acordo estratégico que associa apoio em defesa e investimento industrial ao acesso a um dos maiores potenciais de recursos naturais em África, incluindo mais de 5 biliões de metros cúbicos de gás natural e extensas reservas de minerais críticos.
De acordo com o portal Business Insider Africa, o entendimento foi alcançado em Pequim, após conversações entre o Presidente chinês, Xi Jinping, e o Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, e insere-se num modelo em que financiamento, segurança e desenvolvimento industrial são articulados em troca de acesso estratégico a recursos.
No centro do acordo está a Bacia do Rovuma, onde se concentram reservas de gás estimadas em mais de 5 biliões de metros cúbicos, bem como depósitos ainda pouco explorados de grafite, lítio e terras raras — matérias-primas essenciais para a transição energética global.
Segundo um comunicado conjunto, a China irá realizar levantamentos geológicos de grande escala no norte do País e investir na criação de infra-estruturas de processamento local, com o objectivo de reduzir a exportação de matérias-primas em bruto e promover a industrialização.
A iniciativa será apoiada por plataformas como o China-Africa Geoscience Cooperation Centre e o Belt and Road International Geoscience Education and Training Centre, reforçando o carácter estruturado e de longo prazo da intervenção chinesa.
O Presidente Xi Jinping afirmou que a China está disponível para “explorar novos caminhos de cooperação em infra-estruturas e no desenvolvimento integrado dos sectores energético e mineral”, sinalizando uma estratégia de presença prolongada em Moçambique.

O acordo incorpora igualmente uma componente de segurança, com Pequim a comprometer-se a apoiar os esforços de combate ao terrorismo em Cabo Delgado, onde uma insurgência activa desde 2017 já provocou mais de um milhão de deslocados e afectou projectos estratégicos de gás e mineração.
No plano económico, a parceria inclui ainda a facilitação de exportações agrícolas moçambicanas para o mercado chinês, com acesso preferencial e mecanismos como tarifas reduzidas e canais logísticos dedicados, bem como cooperação em irrigação, sementes e transporte.
Este modelo contrasta com a abordagem de parceiros ocidentais. Os Estados Unidos, através da International Development Finance Corporation (DFC), optaram por reforçar a sua presença em projectos existentes, prevendo converter um empréstimo de 31 milhões de dólares em participação na Syrah Resources, operadora da mina de grafite de Balama, além de investir 15 milhões de dólares adicionais na sua subsidiária local.
Ao contrário desta estratégia mais focalizada, a China propõe um pacote integrado que combina mapeamento de recursos, financiamento, infra-estruturas, industrialização e segurança, posicionando-se de forma mais abrangente na corrida global por recursos estratégicos.
Analistas consideram que o acordo reforça a influência chinesa em Moçambique e coloca o País no centro da disputa internacional por gás e minerais críticos, num contexto de crescente competição entre potências globais. (DR)