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Mmukhureke: Entre o Destino e As Fatalidades do Amor

Por: FADJA – Fanito de João Armando

Nas imediações de Marririmwe, bem perto do rio Intatapila, em Mecubúri, lá pelos primórdios dos anos 70, nasceu um rapaz memorável, a quem a família baptizou com o nome de Mmukhureke, em alusão ao facto de a sua mãe ter concebido por cinco vezes, resultando em nados-mortos.

Naquele humilde lar dos senhores Mukisinse e Amwali, a agricultura de cabo curto era a principal fonte de sustento da família. Como alternativas, recorriam à pesca e à caça de ratazanas durante o verão, formas de variar a dieta, caracterizada por verduras e feijões, acompanhados pela famosa chima, feita à base de farinha de mandioca, vulgarmente conhecida por mwantopa.

Durante o período de gestação, a senhora Amwali registava ameaças de aborto, tendo sido forçada a deslocar-se até à zona de Mwalua, onde recebeu tratamento tradicional na casa do velho Mokina, com o propósito de assegurar a gravidez e garantir o nascimento saudável do primogénito dos Mukisinse.

Mokina garantiu que, com as suas folhas e raízes, ninguém teria o atrevimento de mexer com a gravidez. Alertou, porém, que haveria choros na família da senhora Amwali, pois o seu tio mais velho seria o responsável pelos sucessivos abortos instantâneos.

Mokina entregou-lhe uma cinta feita à base de casca de árvores e algumas folhas: umas deveriam ser espalhadas em redor do quintal e outras queimadas debaixo da cama do casal.

De volta à sua residência, em Marririmwe, Amwali cumpriu as orientações do velho Mokina. Durante o sono, teve uma visão nocturna na qual o seu tio Namalowa surgiu gravemente doente, pedindo-lhe clemência para a sua salvação, diante de uma insuportável dor no abdómen.

Nas primeiras horas do dia seguinte, o senhor Namalowa apareceu aos gritos à porta da residência da sua sobrinha. O arrependimento inundava as palavras soltas que proferia entre os gritos de dor.

Naquele dia, toda a povoação se fez presente na residência dos Mukisinse para testemunhar o triste espectáculo protagonizado pelo senhor Namalowa, que, para além da intensa dor abdominal, entrara em convulsões.

Devido à seriedade da situação e receando uma eventual retaliação da família da sua esposa, caso o ancião Namalowa viesse a morrer, Mukisinse correu até à casa do senhor Mokina, em busca de ajuda para salvar o tio da sua amada esposa.

Mokina, de tão benevolente, entrou na sua humilde palhota e trouxe consigo uma raiz e um pouco de farinha de mapira, que soprou na direcção de Marririmwe. Enquanto soltava alguns “palavrões”, Namalowa ia registando melhorias no seu estado de saúde.

Após o regresso de Mukisinse a casa, este triturou a raiz e deu-a ao tio da sua esposa, que, aliviado, prometeu oferecer à sua sobrinha três cabeças de gado caprino e toda a sua produção de gergelim.

Meses depois, Amwali teve o seu primogénito. O menino recebeu o nome de Mmukhureke: um rapaz forte, saudável e sorridente.

Aos oito anos de idade, um missionário que se encontrava de visita à comunidade da Igreja Católica de Intatapila apaixonou-se pela vivacidade do jovem Mmukhureke e, sem tardar, pediu autorização aos seus pais para lhe conceder uma bolsa de estudos na cidade de Nampula.

Na Escola Primária 7 de Abril, onde foi matriculado, Mmukhureke destacava-se por ser sempre o primeiro na realização das tarefas e por obter os melhores resultados nos testes. A professora Rosa orgulhava-se de fazer parte do processo de ensino, aprendizagem e desenvolvimento intelectual daquele rapaz.

Volvidos quatro anos, Mmukhureke concluiu a quarta classe e regressou à sua comunidade. Entretanto, a guerra civil condicionou o seu regresso às aulas na cidade de Nampula.

Na terceira semana da sua estadia em Marririmwe, a comunidade foi atacada pelas forças militares da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO). A aldeia foi destruída, obrigando os populares a refugiarem-se na zona de Marrocane, próximo da sede do Posto Administrativo de Namina.

Com o abrandamento da guerra, aos 18 anos de idade, Mmukhureke decidiu regressar à cidade de Nampula, a convite do seu colega de turma, de nome Mphenteleya, para se inscrever no recrutamento para o serviço militar obrigatório.

Foi enviado para o Centro de Treinamento Militar de Montepuez, onde teve a honra de jurar à bandeira e demonstrar a sua prontidão para a defesa da sua pátria amada.

Em meados da década de noventa, Mmukhureke foi desmobilizado das Forças Armadas e de Defesa de Moçambique, regressando à sua terra natal para a sua reinserção social. Ali iniciou um negócio de compra e venda de cereais e feijões.

O negócio prosperou até lhe permitir adquirir a sua primeira barraca na cidade de Nampula, em sociedade com o seu amigo dos tempos da tropa, chamado Bondoza, no Mercado 7 de Abril.

Com o crescimento do negócio, Mmukhureke contraiu o seu primeiro matrimónio, do qual nasceram os seus dois primeiros filhos: um rapaz e uma menina.

Volvidos sete anos de casamento, a sua amada esposa viajou para Iapala, sua terra natal, de onde nunca mais quis regressar, deixando o seu esposo à sorte dos deuses.

Seis meses depois da partida da esposa, Mmukhureke decidiu viajar até Iapala, a fim de procurar respostas e compreender as razões daquela tenebrosa partida.

Enquanto descia do comboio na estação local dos CFM, deparou-se com a sua esposa acompanhada de um homem. Ao aproximar-se deles, constatou que a sua companheira de cama estava grávida.

Sem conseguir desenvolver qualquer conversa, Mmukhureke pôs-se a chorar.

Naquele momento, Julieta ajoelhou-se diante dele para pedir perdão pelo sucedido. O tio Namalaka, que o acompanhava, aconselhou-o a seguir até à residência dos sogros, para se inteirar daquela tenebrosa situação.

Mmukhureke, inconsolável, pediu ao tio que regressassem à cidade de Nampula. Segundo ele, já não havia nada por esclarecer.

Meses se passaram. Mmukhureke conheceu uma linda e jovem mulher, que se tornou a sua segunda esposa. Porém, volvidos dez anos de relacionamento, o casal nunca teve filhos, devido à incapacidade de conceber da sua esposa. Continua…

In: Cenas de Casa (Moz24h)

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