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Menina de 12 anos raptada por insurgentes em Ancuabe; família apela ao resgate

Por Quinton Nicuete

 

 

Uma menina de 12 anos de idade, aluna da 4.ª classe da Escola Primária de Nonia, foi alegadamente raptada por grupos armados apontados como terroristas durante uma incursão registada na tarde de sábado na aldeia de Nonia, distrito de Ancuabe, província de Cabo Delgado.

A criança Maria Carlitos, noms feitício, foi capturada pelos insurgentes enquanto se encontrava em casa, na companhia dos avós, do tio e da irmã mais velha, durante a incursão do grupo armado à aldeia de Nonia.

Segundo fontes locais ouvidas pelo Moz24h, os insurgentes entraram na comunidade por volta das 18 horas, onde saquearam produtos alimentares, aves domésticas e outros bens pertencentes à população. As fontes afirmam que não foram registadas mortes nem incêndios de residências durante a incursão.

De acordo com os relatos, os atacantes terão raptado inicialmente sete pessoas, entre homens, mulheres e crianças. Contudo, após abandonarem a aldeia e entrarem no mato, os insurgentes libertaram seis dos reféns, mantendo em cativeiro apenas a menor de 12 anos.

As mesmas fontes referem que, antes de libertarem os restantes reféns, os insurgentes terão afirmado que a criança seguiria com o grupo para servir os seus propósitos, embora não tenham especificado quais.

O rapto da menina de 12 anos na aldeia Nonia junta-se a vários relatos de desaparecimento e recrutamento forçado de crianças em Cabo Delgado ao longo dos últimos anos. Casos semelhantes foram documentados por organizações de direitos humanos e de protecção da criança, incluindo o de Amade (nome fictício), desaparecido em 2022 na comunidade de Mucojo, distrito de Macomia, quando saiu para apanhar lenha e nunca mais regressou.

Relatórios do Instituto de Psicologia e Paz de Moçambique (IPPM), da UNICEF e de outras organizações humanitárias têm alertado para o aumento de raptos e recrutamento de menores por grupos armados que actuam na província. Segundo estes relatórios, crianças são frequentemente capturadas enquanto realizam actividades do quotidiano, como buscar água, apanhar lenha ou trabalhar nas machambas.

Para as famílias afectadas, o desaparecimento de crianças representa uma das consequências mais dolorosas da insurgência. Enquanto algumas vítimas conseguem regressar após operações militares ou fugas, muitas continuam desaparecidas, sem que os familiares obtenham informações sobre o seu paradeiro.

Em contacto com o Moz24h, o pai da menor confirmou o rapto da filha e manifestou preocupação com o seu paradeiro. Segundo relatou, a menina foi capturada juntamente com familiares, incluindo a avó, o tio e uma irmã mais velha, que acabaram posteriormente libertados.

Visivelmente abalado, o pai apelou às autoridades moçambicanas para intensificarem os esforços de localização e resgate da criança.

“Ela frequentava a 4.ª classe e sonhava continuar os estudos para um dia tornar-se enfermeira”, contou.

O Moz24h ouviu igualmente algumas das pessoas que terão sido libertadas pelos insurgentes. Segundo os seus relatos, passaram cerca de dois dias em deslocação pelo mato, enfrentando dificuldades, fome e condições adversas antes de conseguirem alcançar zonas consideradas seguras.
Este revelou que, fora da Calcina
A situação de segurança continua a preocupar os residentes da região. Fontes comunitárias afirmam que várias aldeias vizinhas de Nonia, incluindo Mehegane, Macaia, Naputa e Mokone, registam abandono parcial ou total da população devido ao receio de novos ataques.

Líderes comunitários ouvidos pelo Moz24h afirmam que esta terá sido a quarta incursão de grupos insurgentes na comunidade de Nonia. Segundo os mesmos, em ataques anteriores foram registadas destruição de residências e mortes de residentes.

As fontes lamentam ainda aquilo que consideram ser insuficiente resposta das forças de segurança para impedir a circulação dos grupos armados naquela região.

Entretanto, dezenas de famílias continuam a abandonar as suas aldeias transportando apenas alguns pertences essenciais. Muitos deslocados enfrentam dificuldades de acesso a alimentos, abrigo e outros bens básicos.

Perante a situação, residentes e líderes comunitários apelam ao Governo de Moçambique, organizações humanitárias e parceiros de cooperação para reforçarem a assistência às populações afectadas.

Até ao momento, as autoridades distritais de Ancuabe ainda não se pronunciaram oficialmente sobre o alegado rapto da menor nem sobre os mais recentes incidentes registados na zona.

Esta nova vaga de violência ocorre num contexto de crescente instabilidade em Ancuabe. Nos últimos dias, grupos insurgentes atacaram várias comunidades do distrito, incluindo Nnaua, Nacole, Minheuene, Campine e Namacuili, onde foram registadas mortes, destruição de infra-estruturas públicas, incêndio de centenas de habitações e saque de bens da população.

Os ataques provocaram deslocações massivas de famílias para zonas consideradas mais seguras. Na sexta-feira, confrontos entre insurgentes e forças locais na zona de Naputa resultaram na morte de um membro da força local conhecido por Cingiri, além de alegadas baixas entre os insurgentes.

A insegurança levou igualmente ao encerramento temporário de actividades escolares em algumas comunidades e continua a afectar milhares de residentes dos distritos de Ancuabe, Chiúre, Namuno e Muidumbe.(Moz24h)

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