OConselho Empresarial da província de Manica, na região Centro de Moçambique, manifestou preocupação com a crescente circulação de sementes falsificadas nos mercados, o que tem estado a prejudicar os produtores, exigindo, assim, maior fiscalização e rigor para eliminar a prática.
Segundo uma publicação do jornal O País, as constantes reclamações dos camponeses devido ao fraco poder germinativo de algumas sementes vendidas forçou o Governo de Manica a convocar um encontro com diversos actores. Na reunião, foram abordados assuntos relacionados com acções para melhorar a produção de sementes, o ponto de situação do controlo da qualidade de sementes importadas e a organização da província face à certificação das mesmas.
Na ocasião, Célia Ribeiro, vice-presidente do Conselho Empresarial, afirmou que os agricultores preferem apostar na importação do que nas sementes produzidas localmente.
“Com todo o respeito que tenho pelas empresas, mas nós mesmos somos os que mais falsificamos sementes. Hoje os agricultores preferem comprar uma semente importada do que produzida localmente, porque não há confiança”, denunciou.
Por sua vez, Aly Baraza Jr, provedor de sementes, destacou que nos mercados existem pessoas que fazem a transacção de sementes falsas, defendendo que a solução para acabar com a situação começa na potencialização dos especialistas que trabalham no Laboratório Nacional de Sementes.
As chuvas intensas e inundações registadas nas últimas semanas afectaram, sobretudo, os distritos de Xai-Xai e Chókwè, ambos na província de Gaza, sul do País, com prejuízos em 290 e 270 hectares, respectivamente. Para além dos danos imediatos, as autoridades apontam a necessidade urgente de reconstituir a capacidade de produção agrícola nas zonas devastadas.
De acordo com o MAAP, o sector precisa, com carácter de urgência, de 15 000 toneladas de sementes de milho, 8000 de arroz e 3000 de feijão. No âmbito da preparação para a segunda época da Campanha Agrária 2025-26, foi realizada uma reunião com os produtores de sementes para coordenar acções que assegurem a disponibilidade dos insumos em tempo útil. Durante o encontro, foram identificados cerca de 710 hectares de campos destinados à produção das referidas sementes.
Segundo Marcelino Botão, presidente da Associação de Produtores de Sementes, o ‘stock’ actual revela-se insuficiente face às necessidades: existem disponíveis 2300 toneladas de sementes de milho, 45 de arroz, 650 de feijão-nhemba, 270 de feijão vulgar e quatro toneladas de hortícolas. O responsável adiantou que a maioria das empresas ainda se encontra na fase de planificação, não dispondo de ‘stock’ completo. Os dados referem-se, sobretudo, às províncias de Gaza, Manica, Sofala e Nampula. (DE)

