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Mais de 15.000 fugiram de distrito moçambicano de Cabo Delgado em maio

Mais de 15 mil pessoas, metade crianças e incluindo 102 grávidas, fugiram desde o início de maio de ataques terroristas do distrito de Ancuabe, província moçambicana de Cabo Delgado, segundo atualização da Organização Internacional para as Migrações (OIM).

De acordo com o relatório de terreno, consultado hoje pela Lusa e que analisa o período de 01 a 19 de maio, “ataques seguidos pelo medo” de grupos armados não estatais, que operam há mais de oito anos no norte de Moçambique, desencadearam “deslocamentos para várias aldeias”, dentro de Ancuabe e para os distritos vizinhos de Montepuez e de Chiúre.

Acrescenta que 15.286 pessoas, equivalente a 4.886 famílias, fugiram neste período das localidades de Nacuale, Minheuene, Metoro e Meza. No relatório anterior, referente ao período de 01 a 10 de maio, a OIM contabilizava cerca de 12.000 deslocados nesta área.

Esta atualização aponta que, das 4.301 mulheres adultas (28%) identificadas nos grupos de deslocados, 102 estavam grávidas, além do registo de 7.781 crianças (51% dos deslocados de Ancuabe) incluindo 10 que chegaram sem família aos centros de acolhimento, 292 pessoas com mais de 60 anos e 33 portadoras de deficiência. No documento, a OIM volta a manifestar “preocupação com os riscos significativos de separação familiar, violência de género, perda de documentos e sofrimento psicossocial”.

Elementos associados ao grupo extremista Estado Islâmico reivindicaram, em 07 de maio, ataques em Cabo Delgado, incluindo a destruição de uma igreja, lojas de “cristãos” e de mais de 200 casas, no distrito de Ancuabe.

Na reivindicação, através dos canais de propaganda, é referido que elementos daquele grupo “entraram em confronto” em Ancuabe, alegando terem atacado um “quartel” na aldeia de Nacoja: “Expulsaram os combatentes da aldeia, incendiaram uma igreja e cerca de 220 casas, além de várias lojas pertencentes aos cristãos”.

Um grupo atacou em 05 de maio a aldeia de Nacoja, o segundo em poucos dias no distrito de Ancuabe, disseram anteriormente à Lusa fontes da comunidade local. O ataque aconteceu a nove quilómetros de uma empresa de exploração mineira, o que obrigou à retirada de emergência do pessoal.

O ataque a Nacoja deu-se cinco dias após incursões dos rebeldes na aldeia de Minheuene, em Mazeze, onde destruíram a missão de São Luís de Monfort – construída em 1946 e símbolo da presença católica na região -, bem como dezenas de residências, raptando pelo menos 22 pessoas.

A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.

A organização ACLED registou 10 eventos violentos nas duas últimas semanas na província moçambicana de Cabo Delgado, nove envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram 26 mortos, elevando para 6.570 os óbitos desde 2017, conforme noticiado pela Lusa na quinta-feira.

De acordo com o último relatório da organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês), com dados de 04 a 17 de maio, dos 2.384 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.203 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).

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