Sociedade

Jornalista da STV denuncia agressão durante reportagem sobre crise de combustíveis em Pemba

Foto: Estacio Valoi/Bombas da Camel

Por Quinton Nicuete

 

O jornalista correspondente da STV em Cabo Delgado, Hizidine Acha, denuncia ter sido alvo de agressão e intimidação enquanto realizava uma reportagem nas bombas de combustível da zona do Camel, na cidade de Pemba, num episódio que volta a levantar preocupações sobre a segurança dos profissionais de comunicação social no exercício das suas funções.

Segundo o relato do próprio jornalista, tudo aconteceu por volta das 10 horas, quando a equipa chegou ao local para recolher imagens sobre a crise de combustíveis que afecta a cidade. Ainda na via pública, ao iniciar as filmagens, alguns motoqueiros que se encontravam na fila começaram a reagir de forma hostil, gritando e exigindo que a equipa interrompesse o trabalho.

Na tentativa de esclarecer a situação, Hizidine Acha atravessou a estrada e dirigiu-se às instalações das bombas com o objectivo de se identificar formalmente como jornalista e explicar o propósito da reportagem. No entanto, o ambiente tornou-se rapidamente tenso. “Começaram os insultos e, pouco depois, apareceu um segurança que pediu a nossa identificação, que prontamente apresentámos”, contou.

De acordo com o jornalista, o segurança exigiu que o acompanhasse até às proximidades do escritório da gestão. Ao recusar entrar no espaço, foi forçado fisicamente. “Pegou-me pela gola, empurrou-me para dentro e fechou a porta”, relatou, acrescentando que, já no interior, foi submetido a várias perguntas num ambiente de intimidação, optando por não responder.

Momentos depois, dois indivíduos identificados como responsáveis ou gestores das bombas juntaram-se à situação. Após uma breve conversa, ordenaram que o jornalista abandonasse o local e proibiram a continuação da reportagem.
Apesar de não terem sofrido ferimentos físicos, Hizidine Acha descreve o episódio como “grave e humilhante”, sobretudo por ter ocorrido diante de várias pessoas. “Aquilo foi humilhante perante uma multidão. Não resistimos para evitar algo pior”, afirmou.

Entretanto, o Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ), através da sua delegação em Cabo Delgado, confirmou ter tomado conhecimento do caso. A organização afirmou que irá pronunciar-se oficialmente e já manifestou repúdio e condenação do acto, garantindo que serão seguidos os trâmites legais para responsabilização dos envolvidos.

O caso reacende o debate sobre o respeito pela liberdade de imprensa e as condições de trabalho dos jornalistas em contextos de tensão social, sobretudo quando reportam sobre temas sensíveis como a escassez de combustíveis, que tem gerado longas filas e crescente insatisfação popular na cidade de Pemba. (Moz24h

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