Moçambique vai beneficiar de um financiamento de 200 milhões de dólares disponibilizado pelo Grupo Banco Mundial para mitigar o impacto das inundações e da actual época chuvosa, que desde Outubro do ano passado já provocaram 235 mortos e afectaram 868 593 pessoas em todo o País, tal como informou a Lusa.
O anúncio foi feito esta segunda-feira (23), em Maputo, pelo director do Grupo Banco Mundial para Moçambique, Fily Sissoko, após um encontro com o Presidente da República, Daniel Chapo, na Presidência da República. Segundo o responsável, o montante poderá ser mobilizado nos próximos meses, no quadro da resposta imediata às cheias.
“Temos uma capacidade imediata, nos próximos meses, de mobilizar 200 milhões de dólares. E, dependendo das necessidades, veremos como podemos alargar esse programa”, declarou Sissoko, sublinhando que o apoio visa reforçar a capacidade de resposta do Governo face às calamidades.
O encontro serviu igualmente para apresentar ao chefe do Estado o novo Quadro de Parceria a cinco anos, avaliado em 3 milhões de dólares, instrumento que define as prioridades estratégicas da cooperação entre Moçambique e o Banco Mundial.
No final da reunião, a ministra das Finanças, Carla Loveira, referiu que, no âmbito desta parceria, estão igualmente disponíveis duas linhas adicionais de financiamento. Uma delas, destinada à prevenção e reforço da resiliência, ascende a 450 milhões de dólares e terá a duração de três anos.
Acresce um apoio emergencial já activado, no valor de 20 milhões de dólares, destinado a financiar acções urgentes nas zonas afectadas. “Essencialmente para aquisição de alimentos, para aquisição de medicamentos e também para aquisição de produtos sanitários de emergência”, precisou a governante.
Dados actualizados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres indicam que, desde o início da época chuvosa, em Outubro de 2025, foram registados 235 óbitos, além de 12 desaparecidos e 331 feridos. No total, 200 739 famílias foram afectadas.
Só as cheias de Janeiro atingiram 724 131 pessoas e provocaram pelo menos 27 mortos. Já a passagem do ciclone tropical Gezani, nas províncias do sul, a 13 e 14 de Fevereiro, causou quatro vítimas mortais e afectou 9040 pessoas.
O impacto material é igualmente expressivo: 15 279 casas ficaram parcialmente destruídas, 6133 foram totalmente destruídas e 183 824 foram inundadas. Foram ainda afectadas 272 unidades sanitárias, 82 locais de culto e 717 escolas.
No sector produtivo, 555 040 hectares de áreas agrícolas foram atingidos, dos quais 288 016 considerados perdidos, afectando 365 784 produtores. Registou-se igualmente a morte de 530 998 animais, entre bovinos, caprinos e aves.
As intempéries comprometeram ainda 7845 quilómetros de estradas, 36 pontes e 123 aquedutos. Desde Outubro, foram activados 149 centros de acomodação, que acolheram 113 478 pessoas, permanecendo actualmente em funcionamento 41 centros, com 33 905 deslocados.

O reforço do financiamento agora anunciado surge num contexto de crescente pressão sobre os mecanismos nacionais de resposta a desastres, num país ciclicamente afectado por eventos climáticos extremos.
Moçambique encontra-se em estado de alerta vermelho face à actual época chuvosa, um período que tem sido marcado por alertas de chuvas e ventos fortes, principalmente nas zonas Centro e Sul do País, com as autoridades a activarem acções de antecipação às cheias e inundações naquelas regiões.
O País é considerado um dos mais severamente atingidos pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais. Nas últimas chuvas, entre 2024-25, Moçambique foi atingido pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude que causaram a morte de pelo menos 313 pessoas, feriram 1255 e afectaram mais de 1,8 milhão.
Os eventos extremos provocaram pelo menos 1016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística. (DE)