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Estácio Valoi ouvido pelo SERNIC em Pemba sobre reportagem dos 111 contentores de madeira

O jornalista Estácio Valoi foi ouvido, na manhã desta segunda-feira, 26 de Outubro, pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), na cidade de Pemba, província de Cabo Delgado, no âmbito de um processo relacionado com reportagens sobre a empresa Safi Timber e a apreensão de 111 contentores de madeira no Porto da Beira, em Sofala.

A audição durou duas horas e 15 minutos. Segundo Valoi, uma das questões colocadas pelos investigadores foi se as informações que publicou sobre a empresa eram falsas. O jornalista afirmou ter rejeitado essa possibilidade e reiterado que considera verdadeiras as informações divulgadas.

Ao explicar o caso dos 111 contentores, Valoi recordou que a apreensão foi acompanhada por jornalistas de diferentes órgãos de comunicação social e por representantes de instituições públicas, incluindo a Autoridade Tributária, a Agência de Controlo da Qualidade Ambiental (AQUA) e o próprio SERNIC.

Segundo o jornalista, as autoridades apreenderam um navio que transportava madeira que, de acordo com as informações divulgadas na altura, estaria destinada ao contrabando. Valoi sustentou que a cobertura do caso não se limitou ao seu trabalho, tendo sido igualmente realizada por outros órgãos de informação.

Durante a audição, o jornalista chamou a atenção para o facto de os seus equipamentos terem sido apreendidos no âmbito do processo, deixando-o, segundo o próprio, mais de 100 dias sem os instrumentos de trabalho. Valoi considera que a medida teve consequências sociais e económicas e questiona por que razão os equipamentos de outros órgãos de comunicação que também cobriram o caso não foram apreendidos.

O jornalista explicou ainda que as suas investigações sobre a Safi Timber começaram antes da apreensão dos contentores, remontando a 2023. Segundo o seu relato, durante meses tentou obter esclarecimentos da empresa sobre as informações recolhidas, sem conseguir uma resposta directa.

Valoi afirmou que só tomou conhecimento do nome do proprietário da empresa no dia em que os 111 contentores foram apreendidos, quando representantes da Safi Timber estiveram no Porto da Beira. Disse também que, durante o trabalho de investigação, procurou contactos através de colegas de outras províncias, até que uma pessoa que se apresentou como representante da empresa manifestou interesse em conversar para tentar encontrar uma solução.

De acordo com o jornalista, a resposta da empresa só chegou posteriormente, através de um documento do Tribunal Aduaneiro que lhe foi enviado por correio electrónico, também para outros órgãos de comunicação que tinham publicado informações sobre a apreensão. Valoi afirmou que o documento, datado de 30 de Outubro, apenas lhe chegou entre 24 e 25 de Dezembro do ano passado.

O documento, segundo a explicação apresentada pelo jornalista, referia uma decisão que autorizava a exportação da madeira mediante o pagamento de cerca de três milhões de meticais. Valoi disse ter consultado as suas fontes e informações disponíveis publicamente, mas não ter encontrado elementos que confirmassem que a madeira tivesse sido efectivamente exportada.

O jornalista acrescentou que, segundo as informações de que dispõe, o Governo recorreu da decisão do Tribunal Aduaneiro e que a madeira continua sob custódia das autoridades, em Maputo. Por essa razão, sustenta que a madeira não chegou a ser exportada.

Sobre as fotografias utilizadas nas reportagens, Valoi explicou aos investigadores que o trabalho jornalístico pode recorrer a diferentes tipos de fontes, abertas e confidenciais. Acrescentou que o acompanhamento do percurso da madeira também pode ser feito através dos números dos contentores e dos registos portuários, elementos que, segundo afirmou, podem ajudar a reconstituir o trajecto da carga.

O jornalista questionou ainda a demora no envio do documento judicial e levantou a possibilidade de a empresa já ter conhecimento de que a decisão tinha sido contestada. Esta posição foi apresentada por Valoi como uma interpretação sua, não tendo sido indicada uma resposta da empresa a essas questões no relato da audição.

No final, o jornalista afirmou que pretende submeter, na terça-feira, os documentos do Tribunal Aduaneiro e o recurso apresentado pelo Governo, incluindo as entidades públicas que identificou como intervenientes, para sustentar a sua versão de que a madeira não foi exportada.

Valoi disse que, depois da audição, aguarda agora os próximos passos do processo.

O caso surge depois de uma decisão judicial que determinou a apreensão dos equipamentos do jornalista, posteriormente devolvidos. A nova audição no SERNIC coloca novamente em discussão as reportagens sobre a Safi Timber, a apreensão dos 111 contentores e as circunstâncias em que a madeira permanece sob custódia das autoridades. (Moz24h)

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