De acordo um comunicado oficial, o desembolso tornou-se possível após a DFC ter concedido uma suspensão temporária da aplicação de medidas relacionadas com situações de incumprimento das condições do empréstimo. A instituição norte-americana mantém, contudo, os seus direitos contratuais, incluindo os relativos à disponibilização de futuras parcelas de financiamento, enquanto a Syrah Resources procura uma solução definitiva para as questões pendentes.
O novo desembolso terá uma taxa de juro anual de 6%, acrescida do custo de financiamento da DFC, além de uma comissão de adiantamento de 1%. Com a concretização desta operação, o valor acumulado dos desembolsos efectuados ao abrigo do empréstimo deverá atingir 83 milhões de dólares. O saldo previsional da dívida, incluindo os encargos financeiros acumulados, deverá situar-se em aproximadamente 93 milhões de dólares, tendo como referência 30 de Setembro de 2026, com uma taxa de juro média anual de 9,36%.
O financiamento representa um reforço de liquidez para a operação de Balama, numa altura em que a empresa procura assegurar recursos financeiros para sustentar as actividades mineiras e responder às suas necessidades de capital. No âmbito das condições associadas ao desembolso, a DFC deverá receber direitos de aquisição de aproximadamente 5,4 milhões de acções ordinárias da Syrah Resources.
A instituição tem igualmente por receber direitos relativos a cerca de 17,5 milhões de acções, associados a um desembolso anterior e ao adiamento do pagamento de juros. Caso todos os direitos sejam emitidos e exercidos, a DFC poderá passar a deter aproximadamente 1% do capital social da mineradora australiana.
O acordo prevê ainda a possibilidade de a instituição norte-americana indicar um representante para integrar o Conselho de Administração da Syrah Resources, mediante autorização da autoridade australiana responsável pela análise de investimentos estrangeiros. Apesar do novo apoio financeiro, a empresa continua a procurar parceiros estratégicos e fontes adicionais de capital para financiar as suas actividades.
Nesse sentido, a Syrah Resources anunciou que pretende nomear a instituição financeira Jefferies como seu assessor financeiro exclusivo no processo de negociação de novas parcerias e soluções de financiamento. O grupo mantém igualmente negociações relacionadas com propostas estratégicas de financiamento que envolvem a DFC, o Departamento de Energia dos Estados Unidos e a AustralianSuper. Contudo, estas iniciativas continuam sujeitas à conclusão de acordos e às aprovações necessárias, não existindo garantias de concretização das operações adicionais.
A Syrah Resources dedica-se à exploração, processamento e fornecimento de grafite natural e materiais utilizados na produção de ânodos para baterias de iões de lítio, destinados sobretudo à indústria de veículos eléctricos e a outras aplicações industriais. A mina de Balama, localizada em Cabo Delgado e operada pela Twigg Exploration and Mining, constitui um dos principais activos do grupo e integra a sua estratégia de fornecimento de matérias-primas críticas para a indústria internacional de baterias.
O apoio financeiro norte-americano enquadra-se no interesse dos Estados Unidos em reforçar cadeias de abastecimento de minerais estratégicos, incluindo a grafite, utilizada na produção de baterias e em tecnologias associadas à transição energética. Apesar da previsão de desembolso até ao final de Outubro, a empresa esclarece que a disponibilização de futuras parcelas do empréstimo não está assegurada, permanecendo dependente da evolução das negociações e da resolução das questões contratuais pendentes. (DR)

