Por Quinton Nicuete
Pelo menos uma pessoa perdeu a vida e outra sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) na sequência de um clima de pânico associado a informações falsas que circulam nas redes sociais sobre alegados riscos no uso de redes mosquiteiras, na província de Cabo Delgado.
As duas vítimas encontravam-se sob redes mosquiteiras no momento em que receberam informações alarmistas. No distrito de Meluco, uma mulher morreu enquanto ainda tinha o telefone junto ao ouvido, após atender uma chamada relacionada com os boatos. Já no distrito de Ancuabe, um idoso sofreu um AVC logo após tomar conhecimento das mesmas alegações, quando se encontrava deitado debaixo da rede.
Segundo relatos locais, as mensagens em circulação instruíam a população a retirar e destruir o rótulo branco informativo que acompanha as redes mosquiteiras, recomendando que fosse queimado ou enterrado, e alertavam que dormir sob a rede poderia causar morte caso essas instruções não fossem seguidas.
Face à crescente disseminação destes boatos, o Sector de Saúde de Cabo Delgado emitiu um comunicado oficial desmentindo categoricamente as alegações. As autoridades esclarecem que as redes mosquiteiras distribuídas pelo Ministério da Saúde (MISAU) são seguras, não contêm quaisquer dispositivos ou substâncias nocivas e continuam a ser um dos principais meios de prevenção da malária.
O comunicado classifica as informações em circulação como falsas e potencialmente perigosas, alertando para o impacto que a desinformação pode ter na saúde pública, sobretudo numa região onde a malária permanece entre as principais causas de doença.
As autoridades de saúde apelam à população para manter o uso regular das redes mosquiteiras, evitar a sua destruição e agir com responsabilidade na partilha de conteúdos nas redes sociais, de modo a prevenir o pânico e proteger vidas.
Especialistas alertam que o medo extremo e a ansiedade provocados por boatos podem desencadear consequências graves para a saúde, incluindo crises cardiovasculares e neurológicas.
Num contexto já marcado por desafios humanitários e de segurança, a propagação de informações falsas surge como mais um fator de risco, reforçando a necessidade de comunicação clara, rápida e eficaz por parte das autoridades, bem como de maior literacia informacional por parte das comunidades. (Moz24h)

