O Banco de Moçambique decidiu manter a taxa de juro de política monetária, conhecida como MIMO, em 9,25%, interrompendo assim o ciclo de reduções iniciado em Janeiro de 2024, após 12 cortes consecutivos.
De acordo com a Lusa, a decisão foi anunciada esta segunda‑feira, dia 23, em Maputo, pelo governador do banco central, Rogério Zandamela, no final da reunião bimestral do Comité de Política Monetária (CPMO). Segundo o responsável, a manutenção da taxa resulta do “agravamento substancial” dos riscos e incertezas associados às projecções da inflação.
Entre os principais factores apontados estão os efeitos do conflito no Médio Oriente, com impacto na cadeia logística global, bem como na oferta e nos preços de produtos energéticos e alimentares. A nível interno, destacam‑se os efeitos dos choques climáticos, nomeadamente cheias e inundações, que condicionam a produção e a distribuição de bens.
“Neste contexto, o CPMO interrompeu o ciclo de redução iniciado em Janeiro de 2024, condicionando as futuras decisões à evolução dos riscos internos e externos”, afirmou Zandamela, sublinhando que as incertezas associadas à inflação se agravaram de forma significativa.
Dados apresentados pelo banco central indicam que a inflação anual se situou em 3,2% em Fevereiro de 2026, após 3% em Janeiro, com perspectivas de subida no curto e médio prazo.
Apesar deste cenário, o Banco de Moçambique antevê uma recuperação gradual da actividade económica, embora a um ritmo mais lento, influenciada pelos impactos dos choques climáticos e pelo abrandamento da economia global.
A taxa MIMO encontrava‑se em 17,25% desde Setembro de 2022, tendo iniciado um ciclo de descidas a 31 de Janeiro de 2024. Desde então, foi sucessivamente reduzida até atingir os actuais 9,25%, nível agora mantido.
A próxima reunião do Comité de Política Monetária está marcada para 27 de Maio.

