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ANAMOLA elege Venâncio Mondlane com 94% dos votos, mas desafio continua a ser a institucionalização do partido

Por Quinton Nicuete

Venâncio Mondlane foi eleito nesta segunda-feira, (22/06), presidente da Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA) com 94% dos votos, durante a primeira Convenção Nacional do partido, realizada na cidade de Nampula. Único candidato ao cargo, Mondlane recebeu o mandato dos cerca de 400 delegados que participaram no encontro, que decorreu durante três dias.

A convenção serviu igualmente para consolidar os órgãos internos da formação política, incluindo a Comissão Executiva e o Conselho Nacional, além de definir as principais linhas estratégicas de um partido criado há menos de um ano e que procura afirmar-se como uma nova força no panorama político moçambicano.

Apesar da expressiva vitória, analistas consideram que o principal desafio da ANAMOLA será demonstrar capacidade de funcionamento para além da figura do seu fundador.

Em entrevista à DW África, o analista político Wilker Dias afirmou que a identidade do partido continua fortemente associada a Venâncio Mondlane.

“Seria uma autêntica mentira dizer que a ANAMOLA não gira em torno de Venâncio Mondlane. O partido nasce da sua liderança e do movimento político que o acompanha. Enquanto estiver em vida, dificilmente essa imagem será apagada”, afirmou.

Segundo Dias, o processo natural de crescimento do partido deverá passar por uma descentralização gradual do poder e pela promoção de outras figuras políticas dentro da organização.

“O desafio é demonstrar que a saída de uma pessoa não compromete o funcionamento da máquina partidária. Isso exige tempo, organização e uma passagem gradual de testemunho”, acrescentou.

Durante a convenção, Venâncio Mondlane destacou que a ANAMOLA apresentou 23 iniciativas legislativas em apenas nove meses de actividade política, um número que, segundo o líder, supera a produção de outras forças políticas representadas na Assembleia da República.

Sobre este aspecto, Wilker Dias considera positiva a participação activa do partido no debate legislativo, embora defenda uma avaliação mais aprofundada do conteúdo das propostas apresentadas.

“É importante que todos os actores políticos apresentem iniciativas de lei. Quem ganha com isso é o país. Para avaliar o impacto real dessas propostas, é necessário analisar o seu conteúdo e viabilidade”, observou.

Outro fenómeno que tem marcado a ascensão da ANAMOLA é a adesão de membros provenientes de outras formações políticas. De acordo com Venâncio Mondlane, entre 15% e 20% dos actuais membros do partido migraram de outras organizações partidárias.

Para Wilker Dias, esta tendência resulta da combinação entre o desgaste de partidos tradicionais da oposição e a procura de alternativas por parte dos cidadãos.

“Muitos partidos da oposição não conseguiram adaptar-se às novas dinâmicas políticas nem recuperar a confiança dos eleitores. Ao mesmo tempo, o discurso de mudança e o carisma de Venâncio Mondlane acabam por atrair simpatizantes e quadros de outras formações políticas”, explicou.

Com a eleição formal de Venâncio Mondlane para a presidência, a ANAMOLA inicia uma nova etapa da sua trajectória política, procurando transformar a popularidade do seu líder numa estrutura partidária sólida e sustentável a longo prazo. (Moz24h)

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