Economia

Aeroportos de Moçambique afunda em prejuízos e volta a responsabilizar a LAM

Por Quinton Nicuete

 

 

A empresa pública Aeroportos de Moçambique (ADM) continua a registar resultados financeiros negativos, mantendo-se distante dos níveis de desempenho alcançados antes da pandemia da covid-19. A informação consta do relatório e contas de 2024, analisado pelo jornal Carta de Semana, com base na auditoria independente da Deloitte.

Em 2024, a ADM fechou o exercício com um prejuízo de cerca de 1,5 mil milhões de meticais, quase o dobro do registado no ano anterior. Apesar de algum crescimento em relação a 2023, os principais indicadores operacionais, movimento de passageiros, número de voos, carga e correio manuseados, continuam abaixo dos valores de 2019.

No período entre Janeiro e Dezembro, a empresa movimentou cerca de 2,05 milhões de passageiros e registou aproximadamente 61 mil voos, números que representam uma recuperação modesta, mas insuficiente para inverter a trajectória negativa. O manuseamento de carga e correio apresentou quedas acentuadas, reflectindo a fragilidade do sector aéreo nacional.

Do ponto de vista financeiro, o volume de negócios cresceu cerca de 6% face a 2023, mas manteve-se inferior ao período pré-pandémico. Em sentido inverso, os custos operacionais aumentaram de forma significativa, pressionados por despesas correntes e por encargos associados a actividades sociais e operacionais, contribuindo para o agravamento dos resultados negativos.

Perante este cenário, a administração da ADM volta a apontar a Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) como um dos principais factores da crise financeira. A empresa aeroportuária sustenta que a transportadora aérea não paga de forma regular diversas taxas aeroportuárias, incluindo a taxa de passageiro, de segurança, de aterragem, estacionamento e outros serviços essenciais ao funcionamento dos aeroportos.

Segundo o relatório, o incumprimento por parte da LAM compromete a capacidade da ADM de honrar compromissos com bancos, fornecedores e instituições públicas que dependem dessas receitas. A situação limita ainda o acesso da aeroportuária a novos financiamentos, num contexto em que o seu maior cliente enfrenta igualmente problemas de credibilidade financeira.

Ainda assim, o auditor independente considera que as dificuldades da ADM não podem ser atribuídas exclusivamente à LAM. A Deloitte identifica problemas estruturais, como o elevado endividamento resultante de investimentos de fraco retorno económico, com destaque para infra-estruturas como o aeroporto de Nacala, classificado como um “elefante branco”.

O relatório revela que a ADM encerrou 2024 com um passivo superior aos activos, o que coloca a empresa numa situação de insolvência técnica. Mesmo com o apoio financeiro do Estado, através do Instituto de Gestão das Participações do Estado, a pressão sobre a tesouraria mantém-se elevada, agravada pelo défice de capital operacional.

Outro ponto sensível prende-se com o fundo de pensões dos trabalhadores. A auditoria refere não ter sido possível confirmar a regular canalização das contribuições devidas, levantando dúvidas sobre a capacidade da empresa em cumprir responsabilidades sociais de longo prazo.

Perante estes dados, a Deloitte alerta para uma incerteza material quanto à continuidade das operações da ADM, sublinhando que, sem reformas profundas na gestão e na estrutura financeira, a sustentabilidade da empresa permanece seriamente comprometida. Moz24h

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