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Actualização: Secretário de Nicuita relata tortura, ameaças e roubo de 7.800 meticais por membros da Força Local

Ancuabe, Cabo Delgado — O secretário da aldeia de Nicuita, Sérgio Mário, diz ter sido torturado, amarrado, ameaçado de morte e assaltado por elementos que identifica como membros da Força Local, num episódio ocorrido entre os dias 24 e 25 de Agosto, na localidade de Gihote, distrito de Ancuabe.

A denúncia surge um dia depois de o Moz24h ter noticiado a acusação de que cerca de 12 membros da Força Local teriam agredido o secretário https://moz24h.co.mz/ultima-hora-doze-membros-da-forca-local-acusados-de-torturar-secretario-de-aldeia-em-ancuabe/. Ouvido agora pela nossa reportagem, Sérgio Mário apresentou novos detalhes sobre o que afirma ter acontecido.

Segundo o secretário, na noite de 24 de Agosto, quando se deslocava da vila para a sua aldeia, foi surpreendido, por volta das 20h00 e 21h00, por homens armados que estavam escondidos numa zona de cruzamento entre Macaia e Nanoa A. Os homens ter-se-ão identificado como membros da Força Local.

Sérgio afirma que foi cercado, empurrado e agredido, enquanto alguns dos homens exibiam e carregavam armas. Segundo o seu relato, um dos elementos terá contactado um comandante da Força Local, que teria ordenado que disparassem contra ele nas pernas, mas sem o matar.

O secretário conta ainda que, inicialmente, conseguiu seguir viagem na sua motorizada, acompanhado por outra pessoa, mas que os homens terão retido o seu acompanhante e deixando o no local.

No dia seguinte, 25 de Agosto, segundo Sérgio Mário, os elementos da Força Local voltaram a procurá-lo, alegadamente sob uma operação de “busca e captura”.

O secretário diz que acabou por ser interceptado novamente à entrada da aldeia, onde teria sido amarrado e espancado.

Mais tarde, os homens terão ido à sua residência, onde, segundo o seu relato, despiram, filmaram e fotografaram a esposa e a casa da família. Sérgio afirma que a mulher foi ameaçada com a possibilidade de ele ser morto.

Queremos matar ainda hoje. Se não matarmos de bala, vamos matar de faca”, terá sido uma das ameaças dirigidas à sua esposa, segundo o relato do secretário.

Sérgio diz ainda que os elementos terão levado 7.800 meticais que estavam na sua posse. Segundo explica, o dinheiro pertencia a um conhecido e destinava-se à compra de combustível.

Levaram dinheiro de uma amigo que estava no bolso que era para comprar combustível,”contou o secretário.

Durante a segunda abordagem, a população terá reagido ao perceber que o seu líder estava a ser levado. Segundo o secretário, foram efectuados cerca de 30 disparos de rajadas, antes de ele ser levado para junto das autoridades.

Já na vila-sede, Sérgio Mário diz ter sido ouvido no Comando Distrital da PRM em Ancuabe wuando foi elevado pelo chefe da localidade de Gihote, Suaide Inácio Salimo junto da rainha da comunidade, onde estiveram responsáveis da Força Local e o chefe das operações Distrital.

Segundo o secretário, durante a reunião, um chefe das operações terá questionado os elementos envolvidos sobre a razão de terem realizado uma operação daquela natureza sem informar previamente as autoridades competentes mas sem resposta convincente o caso foi adiado por um dia a indicar.

O secretário afirma que posteriormente foi encaminhado para o hospital para receber assistência médica.

Sérgio Mário considera o episódio uma violência contra a sua pessoa e contra a autoridade comunitária e diz esperar que os responsáveis sejam responsabilizados.

Gostaria que fossem punidos“, respondeu o secretário quando questionado se pretendia que os envolvidos fossem responsabilizados.

Contactado pelo Moz24h, o secretário permanente do distrito de Ancuabe, Matias Morgado, confirmou ter tomado conhecimento do caso, embora ainda de forma não formal.

Segundo Morgado, as autoridades que estão a trabalhar no terreno ainda não tinham remetido uma informação oficial ao Governo do distrito. O responsável disse, entretanto, que o caso deverá merecer atenção das autoridades.

Questionado sobre qual será o procedimento caso se confirme o envolvimento de membros da Força Local e se haverá responsabilização, tendo em conta que existem relatos anteriores de incidentes semelhantes, o secretário permanente afirmou que o Governo só poderá pronunciar-se depois de concluído o trabalho interno de apuramento dos factos.

Um dos casos anteriormente relatados ocorreu no ano passado, na sede do posto administrativo de Metoro, onde um membro da Força Local teria baleado um jovem mototaxista durante um incidente relacionado com uma motorizada.

Até ao momento, não foi apresentada publicamente uma versão dos membros da Força Local acusados por Sérgio Mário.

O caso coloca novamente em debate a actuação das forças comunitárias no contexto da insegurança em Cabo Delgado, sobretudo numa comunidade como Nicuita, que já foi vítima de ataques insurgentes e onde a Força Local desempenha um papel de segurança.

A investigação e o apuramento oficial dos factos serão fundamentais para determinar o que aconteceu, quem esteve envolvido e se houve abuso de autoridade, tortura, ameaças ou apropriação indevida de bens.

Perante a gravidade das alegações, o Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD) exige uma investigação independente, imparcial e célere, que permita esclarecer os acontecimentos, responsabilizar os envolvidos nos abusos.(Moz24h)

Leia mais em: https://cddmoz.org/wp-content/uploads/2026/08/Forca-Local-acusada-de-agredir-secretario-de-aldeia.pd

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